Empreendedorismo sintético

Gestão 29 August, 2016 Jefferson Alex

Durante anos, vários pesquisadores e profissionais de administração desenvolveram e aperfeiçoaram teorias, técnicas e boas práticas em gestão de negócios. Enquanto isso, durante os últimos anos surgiram teorias de alguns “profetas” do empreendedorismo. Existe uma grande diferença entre falar sobre empreendedorismo e vivenciar o ambiente. Na primeira, você não precisa ter experiência e, muitas vezes, não se importa com o resultado. Basta que 1 de seus ouvintes declare ter sucesso e pronto, o método está comprovado… acho que não é bem assim na vida real. Durante os últimos anos eu venho observado e assistido diversos discursos sobre empreendedorismo. Participei de grupos, processos de incubação e verifiquei uma grande diferença entre o discurso e a prática. A grande maioria dos palestrantes, basicamente, vendem uma solução empreendedora na forma de “eu vou te ensinar como ganhar 1 milhão, vendendo a fórmula de como ensinar as pessoas a ganhar 1 milhão”. Lembrou algo familiar?   Vai lá e faz… como é? ¬¬ startup-down-fail Então, há um “método” que é vendido sem escrúpulos e que me foi apresentado na pior das hipóteses – eu sou muito crítico e imagine o quanto eu fiquei possesso. Um método chamado “Vai lá e faz”, por si só já é algo que não deveria ser levado à sério. Dito e recomendado por pessoas que nunca tiveram uma experiência empreendedora para contar… bom, isso torna o caso mais ridículo ainda.   Faça lista de metas do dia… hã? Things to Do. Não sou do tipo de que dá muita bola para a formação acadêmica de uma pessoa, mas gosto de saber sobre a qualificação profissional. Dependendo de como você conta sua história de experiências pode parecer um incompetente, mas também pode ser interpretado como um herói – ou algum título que venda livros.   Ganhe o seu primeiro milhão… com eu fiz? FinancialBubble Para os que estão buscando um caminho e conhecimento para realmente fazer acontecer, basta que se depare com o título “Como fazer” e pronto… os problemas de percurso estão criados e apenas começando. Eu já assisti um sem número de vídeos, li alguns livros e estive em palestras que prometiam instruir sobre como iniciar um negócio de sucesso. Pouco tempo depois eu entendi e comecei a intitular melhor esses conteúdos como “autoajuda”. Não estou julgando, apenas categorizando. Acredito que uma palavra de incentivo pode, sim, servir como motivação e estopim para ideias serem concretizadas. Boa parte dos textos (incluindo livros e posts em blogs) publicados atualmente sobre o tema “empreendedorismo”, possuem uma grande chance de ser mais do mesmo. Mostrando como ser empreendedor, falando sobre empreendedorismo para quem quer ser um empreendedor – e assim vai.   Eu quero ter uma startup… mas não sei do que. Vou ganhar 1 milhão com investidor anjo take-my-money Uma ultima questão que gostaria de pincelar aqui é sobre o contexto de startup. Parece que é algo totalmente novo e legal para aventureiros no mercado de trabalho. Até é vendido como se fosse uma forma nova de jovens desempregados não precisarem trabalhar para alguém e ganhar seu dinheiro vendendo uma solução altamente inovadora… (ufa!) Só para deixar claro, startup não é necessariamente informal e exclusiva para jovens que “manjam” de tecnologia e criam apps inovadores… não… hummm. não. Em outros posts eu posso falar mais sobre startup. Para o momento basta dizer que ser empreendedor é muito mais do que ter uma ideia, ter uma startup é muito mais do que ficar correndo atrás de investidor. Criar um modelo de negócio é muito além de colar post-it em quadros super coloridos (quem falou que designer não pensa?). Procure saber qual é o significado de “sócio” e verá que um investidor anjo não está “gastando” dinheiro com você, achando muito bonito seu sonho de ter uma sala de jogos no ambiente de trabalho. Quando souber o que significa “resultado”, talvez seja tarde demais.   Poste suas opiniões, críticas e sugestões. Assim terei como saber sua opinião sobre o assunto.

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Jefferson Alex

Analista de Marketing com especialização em projetos digitais. Designer em formação, analista de sistemas e sempre em busca de aprendizado contínuo.