[UX Zero] Construção de uma persona

Design, Séries 25 November, 2017 Jefferson Alex

O objetivo maior de um projeto centrado no usuário é… o usuário, claro! Mas somos muitos, diferentes, com diversas características particulares. Como definir quem é a persona do meu projeto?

Quem trabalha com projetos sempre terá que iniciar o projeto pensando: Quem usará isso?

É a pergunta que norteia todas as decisões e puxa as ouras perguntas como “onde usará”, incluindo “por quê ele não usa”. As respostas são determinantes para o sucesso ou fracasso de um projeto, principalmente quando envolve o usuário para adquirir o produto (gerado pelo projeto).

Vamos ilustrar um pouco essa discussão.

Imagine que você vai criar um ponto de ônibus. Imagino que isso seja um trabalho que envolve arquitetos, designers, engenheiros (não só o civil). Enfim, exige profissionais que saibam elaborar as ideias e como elas podem se concretizar.

Um ponto de ônibus (ou um parada de ônibus, como preferir) é algo que envolve um público bastante diverso. Nesse universo temos pessoas com necessidades especiais, pessoas que carregam  objetos, com crianças, entre outras situações e características. Ai começa a grande questão: agradar gregos e troianos.

Existem normas técnicas para não errar tanto? Existe… basta ir lá na ABNT e ISO (dependendo do tipo e do local de aplicação). Mas um projeto não é somente normas técnicas, pois elas têm o papel de guiar a qualidade do projeto. Uma norma técnica não vai dizer que tipo de tecnologia utilizar para que um cadeirante consiga ser atendido da melhor forma. Ela vai orientar sobre as dimensões de locomoção, entre outras (altura, cores padronizadas para alertas e por ai vai).

Nesse momento entramos no foco da questão: Para quem vou projetar?

É necessário criar um perfil de usuário (ou vários perfis), enumerando características que auxiliem a compreensão do seu comportamento diante do objeto criado. Não cometendo um erro de criar um sinal luminoso onde os usuários são cegos.

Nessa criação de uma persona é ideal escrever, concretizando e ilustrando, características como: nome, onde mora, com quem vive, idade, sexo, possui alguma necessidade, escolaridade, idioma, nacionalidade, hábitos, renda, etc. Isso, embora pareça que estamos colocando muita informação, na verdade estamos criando um filtro onde podemos descartar umas ideias ou evoluir outras.

Exemplo de persona:

Maria Glórya, 19 anos, estudante universitária, cursando 3º período de administração, mora com os pais no subúrbio, tem uma renda familiar de até 2 salários mínimos, anda de ônibus e recebe auxílio financeiro da universidade, não fuma, bebe socialmente com a galera na sexta-feira após a aula e não possui histórico de problemas de saúde.

Esse perfil nos diz muita coisa e apresenta uma série de possibilidades para filtrar as soluções para “Maria Glórya”. Essa persona não possui problemas de saúde, nem de locomoção. Isso já nos diz que ela precisa de algum lugar para esperar o ônibus, mas que não precisa se algo especial. Se ela estuda, possuindo auxílio financeiro para sua locomoção, não pode ficar perdendo o horário do ônibus para não chegar atrasada e não ficar à pé – não teria dinheiro para um táxi, nem Uber.

Para essa persona, quem não tem um olhar treinado no mercado iria criar diversos mecanismos como aplicativos, sinais de alerta, poltronas confortáveis, e etc… No frigir dos ovos, ela não se beneficiaria de muitas das tecnologias aplicadas, uma vez que já sai da aula no horário do ônibus passar e não precisa ficar muito tempo no ponto esperando o ônibus.

Percebe que se eu colocar apenas um papel pregado na parada de ônibus, informando o horário e rota dele, Maria será muito mais beneficiada do que se eu fizesse um aplicativo, tendo que ocupar mais um espaço no telefone de Maria? Ela já é altamente ocupada com as matérias da faculdade e suas notas, afinal ela é bolsista e não pode ficar se distraindo.

Esse é um exemplo que puxa um termo: MVP (Minimum Viable Product). Ou em bom português “Produto minimamente viável”, sendo um termo utilizado para representar aquilo que será implementado no projeto e sem isso ele não poderia funcionar. A ideia é que seja desenvolvido algo que atenda a “dor latente” do usuário, assim que você identifica qual é, eliminando a perda de tempo com firulas e outras funções de um sistema (mudar a cor, posição do botão das configurações, etc).

Isso só é possível quando conhecemos as características específicas do usuário. Eliminando achismos, centrando nas necessidades do usuário e viabilizando o projeto.

 

Bom, esse post ficou bem longo… mas é que porque tenho essa característica desse Blog. Não gosto de informações resumidas, acredito que o conhecimento precisa ser explicado.

 

No próximo post eu acredito que vou entrar no assunto de como a tecnologia veio para ajudar, não para ser “mais uma coisa na vida do usuário”.

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Jefferson Alex

Analista de Marketing com especialização em projetos digitais. Designer em formação, analista de sistemas e sempre em busca de aprendizado contínuo.