Transição de Design gráfico para UX/UI

Design, Séries 13 February, 2018 Jefferson Alex

Uma pergunta que vejo constantemente em grupos e fóruns de design UX, UI e interação é sobre a migração de designers gráficos para a área de interfaces digitais. Aqui estão algumas considerações sobre a área e sobre esse cenário de “transição” dos designers.

Quando iniciei do curso de design eu já tinha em mete os objetivos do “por que eu vou ser designer”, mas durante a graduação eu vi um cenário beeeem diferente. Estou falando sobre objetivos aqui, sobre entrar em um curso sabendo como está o mercado e sobre que tipo de profissional você quer ser.

Pois bem, conheci muitos designers em formação que eram os “faz tudo” quando se tratava de criação. Desde logo, estampa, cartazes, edição de vídeo e até moda. Isso é comum, infelizmente, pois muitos entram em um curso de design para ser design gráfico e acabam fazendo tudo o que tem pela frente de criação.

Não estou aqui criticando o design gráfico nem dizendo que fazer tudo é ruim, o que estou querendo exemplificar é um cenário onde aparecem as dúvidas quanto a profissão escolhida. Isso acontece em diversas áreas, como em computação por exemplo, onde as pessoas entram com a mentalidade que serão programadores um dia e se veem perdidos no meio da sopa de linguagens possíveis.

O designer e o mercado

Assim como em toda profissão, o designer possui diversas áreas de atuação e isso exige do mesmo um certo foco nos estudos específicos. Porém, não é tão fácil quando se tem uma visão restrita das possibilidades. Digo isso pois quando conversei com diversos alunos na graduação eu ouvi a descrição de um cenário “blocado”, onde “não existe vaga na região” ou “o designer não é valorizado”. Isso meio que atrapalha a construção do conhecimento, levando esse profissional a se deparar com possibilidades estranhas a ele quando olha para o mercado.

O design está em tudo. Essa é uma frase que ouve-se o tempo todo, em todos os lugares, em todas as aulas de qualquer curso que envolva design – até nas aulas de computação. Isso porque design é “designar”, segundo a literatura define. Então, projetar está para um designer, assim como o mel está para a abelha. Mesmo assim, parece que essa frase passa batida, de tanto que é dita.

Os conhecimentos adquiridos por um designer durante a formação passam por tipografia, estudo das cores e formas, estruturação de produtos, ergonomia, comportamento do usuário, análise de mercado e outros conhecimentos que dão conta de criar um arcabouço de saberes para possibilitar o pensamento lógico aliado à criatividade. Dito isso, esses conhecimentos propiciam o designer atuar em diferentes áreas no mercado, como:

  • Design de embalagens;
  • Comunicação visual e propaganda;
  • Jóias;
  • Vestuário;
  • Veículos;
  • Sinalização;
  • Jogos;
  • Interfaces computacionais (sites, sistemas e afins);
  • Móveis; e etc.

Só ai já é possível identificar diversos campos de atuação, onde o profissional em formação pode escolher um desde o início e manter o foco.

Agora vem a parte polêmica do post.

Por quê os designers gráficos estão migrando para design de interfaces?

E mais ainda… por que estão com dificuldades nessa migração?

Como disse anteriormente, há um certo problema no início de tudo. Muitas vezes o profissional é levado pela força da necessidade enquanto está em formação, guiando-o para a área mais confortável ou mais abrangente no mercado. No caso do designer, o design gráfico para publicidade é uma área bastante conhecida e com uma oferta de oportunidades atrativas.

De repente, no meio dos jobs e em alguns posts do Medium, a pessoa conhece o design de intercades – geralmente a porta de entrada é webdesign. Atualmente muitos se deparam com o termo “UX” e sentem-se logo atraídos pelos quadros maravilhosos criados para desenvolver projetos de interfaces. É quando vem a pergunta: como faço para entrar nessa área?

Logo depois de algumas pesquisas o profissional se depara com os ótimos salários e oportunidades que a área traz consigo. Porém, ainda existe uma sopa de termos que precisa lhe dar, como o que eu tratei no post Usabilidade, UX e UI ai começa a confusão e a busca por tentar preencher a lacuna que sente para entrar na área.

Design de interfaces, UX ou UI são áreas muito atrativas pois o designer constrói projetos que ajudam usuários a desenvolverem tarefas de forma otimizada e estratégica. Essa descrição é minha, mas você pode interpretar de outras formas. Talvez a grande quantidade de projetos digitais em desenvolvimento na atualidade faça com que o designer gráfico pense: é uma área nova e que tem mais oportunidades.

Essa é uma especulação minha, partindo de observação do cenário e conversa com alguns designers que querem migrar.

Muitos desses que querem migrar tiveram alguma oportunidade de participar de algum projeto, desenvolvendo um site ou acompanhando algum projeto de interface para aplicativo. Isso desperta mais ainda o interesse, pois UI é viciante.

Já ouvi alguns relatos de que o salário é uma atrativo. Essa é a parcela que migra por um motivo ruim, pois vão se estressar facilmente na “nova área” e logo vem a frustração.

Diferenças entre design gráfico e UX/UI

Estou tratando aqui UX/UI como um termo que simboliza, atualmente, um mercado de interfaces e produtos digitais. Então, sinta-se informado.

Um designer gráfico está habituado a projetar peças que precisam “caber” no contexto de uso. Isso quer dizer que se for para outdoor, o designer tem conhecimento sobre tempo de exposição, elementos gráficos, área de sangria e outras coisas que competem àquela mídia. Assim também acontece em outras peças para outras mídias, pois a ideia é que o profissional pense primeiro em como o usuário será atingido por aquela produção.

Esse é um dos exemplos que dão uma visão mais clara sobre a proximidade entre o designer gráfico e o UI designer. A grande diferença entre esses e o UX designer é que, geralmente, esse vai ter uma atenção muito mais sobre a experiência e indicadores de performance sobre a produção – seja uma interface gráfica ou um acessório que caiba na mão do usuário e faça ele operar com comandos de voz.

Aqui já começam as diferenças da área de design gráfico e UX/UI. Quem está na área de experiência do usuário e usabilidade, está muito mais engajado com KPIs de performance e em estudar os sentidos do usuário diante do projeto. Seu cotidiano é mais voltado para o entendimento do usuário e do cenário de uso, projetando novas experiências e tentando atender às necessidades a curto e longo prazo.

Outra coisa notável no de um UX/UI é que ele não tem fim… sim, é contínuo. Assim que você atende uma necessidade do ser humano, pode gerar outra e a melhoria da experiência durante o mesmo processo é algo praticamente infinito. Basta dizer que cada designer terá uma visão diferente sobre o mesmo cenário, isso já basta para que hajam sempre novas e diferentes formas de implementar a mesma solução.

Conclusão

O designer gráfico que quer entrar na área de UX/UI precisa ter foco, pois a percepção sobre projetos de design ele já deveria ter. A grande diferença é que inicialmente a preocupação de um UX designer é mais com a percepção, satisfação e processo do usuário, enquanto o designer gráfico possui KPIs diferentes que incluem mais as questões visuais do que cognitivas desse usuário.

Para se ter uma ideia, meus estudos atuais são em uma área que identificam o processo de aprendizado de um grupo específico. Isso para tentar mostrar um conteúdo e interação desse mais fácil e proveitoso, eliminando gargalos de aprendizado e tornando esse conteúdo mais fácil de ser consumido.

Como sempre, aqui o texto é longo pois esse é um blog que expõe minha forma de pensar. Então, como eu não sou direto, os textos também não são. Porém, acredito ter exposto uma percepção acerca desse tema sobre a migração de designer gráfico para o universo UX.

Jefferson Alex

Analista de Marketing com especialização em projetos digitais. Designer em formação, analista de sistemas e sempre em busca de aprendizado contínuo.