Não tem vaga para designer?!

Design 10 October, 2017 Jefferson Alex

Todas as profissões possuem problemas no mercado, quando comparamos o nível de conhecimento adquirido e o nível/modelo de exigência que existe para exercer a profissão. Esse post é para dar uma luz sobre o que penso do mercado, em especial sobre design.

Quando iniciei minha vida acadêmica (a long time ago) uma das conversas que eu mais ouvia entre alunos é “o mercado não dá valor e tem muito ‘sobrinho’ fazendo isso cobrando menos”. A frase é bem genérica quanto a profissão, isso porque eu ouvi essa frase em todos os cursos que passei (sistemas, marketing, comunicação, publicidade, design, web developer… and others).

Hoje eu curso Design (vide data de publicação do post) e me especializei em pesquisar sobre usabilidade, design de interfaces e UX (User Experience). Desde que entrei no curso sempre tive um objetivo: aprimorar meu conhecimento e entrar para área de pesquisa em IHC. Talvez isso tenha feito a diferença, norteando os estudos e fazendo com que eu não ficasse perdido em meio as diversas disciplinas da área de gráfico (o curso na UFPE/CAA possui ênfases de design gráfico, moda e produto).

Pois bem… o mercado!

Durante esse período eu realizei algumas visitas em agências de publicidade, realizando treinamentos/parcerias (marketing digital, web design e gerenciamento de projetos). Também visitei alguns estúdios de design e mantive contato com grupos de pesquisa e empresas de software.

Uma conclusão que cheguei é que o mercado para design gráfico é enorme e não faltam oportunidades. Porém, é preciso ter pulso firme e foco. Além de confiar no seu conhecimento, mantendo um discurso alinhado com o que o mercado precisa.

E o que o mercado precisa?

É comum falarem que “o cliente quer sempre para ontem”. Até porque a empresa/projeto desse cliente está andando, não pode parar – muito menos dar uma pausa em todos os problemas/custos – só para esperar que todo o processo de design siga um tempo que o designer aprendeu na academia.

O mercado precisa de uma solução para ontem, porém o prazo deve ser condizente com o resultado. O que isso quer dizer?

Se você aceita realizar um trabalho, deve ter em mente que existe o tempo do mercado, o prazo solicitado e o tempo que você precisa para realizar aquela tarefa/job. É nesse ponto que muitos se complicam, pedindo mais tempo (ou até estourando) pois estão acostumados com aqueles prazos que o professor dá. Exemplo: “semana que vem tem apresentação/prova/seminário/etc”. No mercado os prazos longos existem, mas você precisa saber o que fazer com eles e como entregar o valor esperado para o cliente (leia-se retorno sobre o seu trabalho).

Eu já presenciei muitos cenário mal construídos em ambientes de criação, trabalhos mal diagramados, mídias sem interação e softwares com nível catastrófico de usabilidade. Também vi muitos pedindo uma alta qualificação para ocupar o cargo de designer, dando em troca uma bolsa que não cobre nem a alimentação (isso não vai mudar nem tão cedo). Essas experiências de mercado me ajudaram a construir cada vez mais um objetivo, visualizando oportunidades nesse cenário de caos.

Demandas para designer gráfico, durante a graduação em Pernambuco

Eu participo, hoje, de 3 projetos que requerem design gráfico e digital. Essas demandas são para atualização de mídias digitais, material publicitário (impresso e digital), design de interfaces e pesquisa em usabilidade. Esses projetos vieram por um simples motivo: fui atrás. Não fiquei esperando que tivesse algo que fosse cômodo ao ponto de não precisar viajar, nem sair da cidade. Para atendê-los eu preciso viajar constantemente, além de participar de reuniões online e monitorar as demandas em diversas ferramentas diferentes (cada projeto vem em uma conta ou ferramenta diferente).

Posso citar 1 projeto desses, onde consegui a minha primeira bolsa de I.C (iniciação científica). Participei do projeto que iniciou o refactoring de um sistema legado, desenvolvido por alunos e pesquisadores no CIn(Centro de Informática, UFPE). Desde então eu venho me dedicando para aperfeiçoar a participação nesse e em outros projetos que vieram. Isso trouxe um leque de possibilidades para meu portfólio de design gráfico digital.

Sem sair de casa

Se você ficar chorando em casa, a única coisa que vai conseguir é… desidratação 🙂

Existem vários sites que publicam e são especializados em gerar demanda de trabalho remoto, principalmente na área de criação em design, sistemas e web. Esses sites são bem conhecidos e você consegue participar sem precisar pagar nada. Claro que você vai precisar de uma boa dose de paciência e jogo de cintura, pois existem centenas de pessoas com mais habilidade que você concorrendo. Porém, são tantos trabalhos em sites diferentes que se você estiver realmente procurando, vai conseguir.

Eu ouvi recentemente a lástima de uma pessoa dizendo “ah, mas ai trabalhar remoto significa você ter que ficar varando a noite trabalhando e o pessoal quer sempre tudo para ontem”… ossos do ofício. Não quer trabalhar fora do horário comercial? Faça um concurso público para motorista, não um curso para ser profissional criativo.

 

Conclusão

Se você está fazendo um curso de design, ou até sistemas – na verdade serve para qualquer área – não fique se lamentando, dizendo que não tem oportunidade no mercado e que não valorizam seu trabalho/conhecimento. Se acha que é assim, então saia do curso pois está ocupando a vaga de uma pessoa que poderia aproveitar esse conhecimento, além do fato de que você está perdendo tempo.

Existem muitos profissionais que conseguiram ser valorizados por empresas estrangeiras, ou até nacionais mas que são de outras regiões/cidades. O segredo deles é um só: não ficaram colocando a culpa em agentes externos (faculdade, cidade, mercado, livros, internet, enfim…). Quem forma um profissional não é o ambiente, é o profissional.

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Jefferson Alex

Analista de Marketing com especialização em projetos digitais. Designer em formação, analista de sistemas e sempre em busca de aprendizado contínuo.